A BASE PARA O FUTURO

  No mundo esportivo, jogadores e comissão técnica são duramente cobrados a fim de obterem bons resultados. Com isso, acabam buscando no próprio ambiente de trabalho um apoio para que possam lidar com toda essa pressão. Entretanto, é necessário que esse acompanhamento aconteça desde as categorias de base para assim formar profissionais preparados, que saibam lidar com as variáveis. Hoje em dia o atleta não depende apenas de sua habilidade; o físico, o psicológico e a maneira de se apresentar ao mundo, precisam estar em harmonia com os treinamentos para a obtenção de sucesso no seu ramo.
  Os jogadores da base passam por períodos de transição, da infância para a puberdade, e dali para a vida adulta, e é de extrema importância que eles entendam que conforme a exposição deles aumenta, a cobrança também aumentará. Além da mídia, os clubes com grandes torcidas tendem a chamar a atenção para o jovem talentoso jogador em suas páginas na internet, que alcançam milhares de pessoas.
  Nós, do Partida do Jogo, tivemos a oportunidade de acompanhar um jogo-treino de Vasco x América, da categoria sub-20, no estádio Giulite Coutinho, em Edson Passos. A partida ficou no 1x1 com gols de Caio Lopes, do Vasco e Macário, do America. Foi uma preparação das duas equipes para o torneio OPG.

Desigualdade de renda dos clubes reflete diretamente na estrutura da base 
  A inserção de acompanhamento de profissionais de áreas específicas no mundo do esporte, como médicos, psicólogos e media trainning, vem crescendo a cada dia e fazem toda a diferença, para melhor.  Mas, infelizmente, essa não é uma realidade que está à disposição de todo atleta ou clube.
  No jogo-treino entre Vasco x América foi possível observar que há uma grande diferença. O time de São Januário conta, por exemplo, com um psicólogo para cada categoria de base e médicos especialistas, que dão toda a estrutura necessária. A assessoria de imprensa se torna responsável, além de ser a porta voz do clube, por fazer um trabalho de media training, que é o treinar o jogador com foco no contato que ele terá com jornalistas. Como é o caso de Sara Borborema, assessora da base do Vasco, que falou com exclusividade com a nossa reportagem. 
''- A  gente está tirando um pouco das deficiências deles, com relação a vergonha de falar com a tv, rádio e mostrando que isso é natural. Hoje em dia, pra você ser um atleta de alto rendimento, você precisa entender que a imprensa está dentro dessa realidade, tanto quanto as redes sociais.'', afirma Sara.


  Já pelo lado do América, o clube não conta com toda essa infraestrutura. Não há, por exemplo, psicólogos integrados ao clube. Mas nem por isso o América deixa de acompanhar os seus atletas. Os médicos da base são os mesmos que atendem ao time profissional e trabalham com grande responsabilidade para garantir que todos estejam em boas condições de entrar em campo. O apoio emocional e o aconselhamento ficam a cargo da comissão técnica. O treinador Ney Barreto é um dos que faz esse papel e diz tratar seus jogadores como se fossem seus filhos. 


Jogadores da base como investimento financeiro e contenção de crise 

  Recentemente, Cesar Grafietti, economista e consultor sênior do Itaú BBA, realizou um estudo sobre as finanças dos clubes, com base em dados divulgados em balanços dos anos de 2012 a 2017. Grafietti identificou que aumentaram os valores referentes a aquisição de direitos econômicos dos atletas, mas foram reduzidos os repasses para a base e para infraestrutura.                                              
  É comum clubes que estão sem dinheiro em caixa para novas contratações subirem os jovens jogadores de divisão, mesmo que eles não estejam prontos tecnicamente, o que acaba, muitas vezes “queimando” a imagem do atleta. Porém, quando a profissionalização acontece no momento certo, o atleta se destaca e, com isso, o clube só tem a ganhar.

  O Flamengo arrecadou cerca de 94 milhões de euros com as últimas quatro vendas de jogadores da base (Paquetá, Vinícius Júnior, Felipe Vizeu e Jorge), aproximadamente 400 milhões de reais. Manter as divisões de base não pode ser visto como gasto, mas sim como investimento.

CBF

  Em maio deste ano, a CBF anunciou a criação de uma Comissão para Desenvolvimento das Categorias de Base do Futebol Masculino. Entre os objetivos estão debater sobre o calendário nacional de competições, o regulamento das disputas e promover estudos sobre inovações. Até agora nenhum resultado foi divulgado. 

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